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06/02/2011

Por onde andou?

A simples constatação de que alguém está conspirando contra mim convence a quem? Duvido que alguém mentalmente sadio acredite que a responsabilidade pelos seus constantes fracassos seja única e exclusivamente de terceiros. Deve haver um momento mágico em que esta pessoa se questiona e tenta perceber em si algo que a levou para este caminho. Mesmo num fugaz instante, deve ter algum nível de auto-avaliação!

Quem entrou na sua vida para atrapalhar a sua já desgastada relação com seu namorado, mãe, amiga, irmão? Que colega de trabalho puxou tantas vezes o teu tapete que te impediu prosperar? Que falta de sorte é esta que teima em atingir o mesmo lugar?

As perguntas, a meu ver, são outras: para onde você olhava quando achava que outro dirigia sua vida, levando-a para onde bem quisesse? Onde está você, sua vida, suas escolhas e omissões? Reconhece sua forma de enfrentar as dificuldades, de vitimar-se ou não, de falar ou calar, de agir, pensar...?

Onde foi parar aquele seu erro em não saber dialogar, em não colocar a mão na massa para enfrentar seus problemas, em temer qualquer novo desafio, em deixar a impulsividade sem controle, em não arriscar-se, em olhar pra si e para o mundo através do olho do outro?

Se existe uma insatisfatória repetição de algo, penso que seja necessário tentar saber mais a respeito do protagonista desta história onde o outro, o acaso, o destino ou a falta de sorte são meramente figurantes.

Aproveite qualquer insight e retome a consciência de que as decisões que norteiam sua vida são suas e intransferíveis. Mesmo que você opte por omitir-se, o que não aconselho, o rumo que a vida levará a partir daí é responsabilidade sua.


19/04/2010

Terapia: a busca pelo autoconhecimento

Diversas vezes fui questionada sobre a informação de que todo mundo precisa de psicoterapia. Eu discordo. Como psicóloga, não posso concordar com uma idéia tão generalista e simplista. Mas também não posso negar que um número cada vez maior de pessoas vem apresentando demanda psicoterapêutica - e isso, em parte, deve-se à popularidade que a psicoterapia e os transtornos ditos emocionais vêm adquirindo, perdendo, felizmente, o estigma de doença mental.

Na minha experiência como psicóloga clínica, sou levada ao encontro de diversas pessoas que apresentam as mais diferentes demandas. A maioria, entretanto, anseia por alguma mudança que ainda não consegue concretizar sozinha ou mesmo não identifica.

Dividir o compromisso desta viagem rumo ao seu íntimo com o psicoterapeuta, creditando a ele o papel de especialista, dá ao paciente a segurança e o conforto tão necessários para iniciar esta jornada muitas vezes gratificante, mas intercalada por situações difíceis e desafiadoras.

Quando a busca por respostas para viver e superar uma situação de crise, desconforto, insegurança, recomeço, luto, tomada de decisão etc. chega às mãos de um psicoterapeuta, encontra um olhar e uma escuta diferenciados, preparados para acolher, guiar e acompanhar numa estrada escura e desconhecida chamada autoconhecimento.

O psicoterapeuta é quem inicialmente carrega a lanterna que clareia as encruzilhadas, os bichos estranhos e as belas paisagens que esta estrada possui. No entanto, à medida que o paciente adapta a sua visão e a sua aceitação a este seu mundo nunca antes vasculhado, ao mesmo tempo em que identifica e efetiva as mudanças que trarão a sua saúde psíquica e emocional, torna-se capacitado, gradativamente, para manusear a lanterna, mas ainda sem prescindir da companhia do especialista.

Para quem se interessa em entrar num processo de psicoterapia, é importante saber que o bom andamento do tratamento depende, entre outros fatores, da parceria de confiança e honestidade que se estabelece entre paciente e psicoterapeuta, assim como do compromisso do paciente em apropriar-se do seu processo de mudança e cura.